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A INVEJA



"O grande ensinamento da inveja é a reflexão de quais são nossas verdadeiras necessidades no confronto diário com a vida de outras pessoas; ou se apenas desejamos competir o tempo todo com as mesmas".- ANTONIO CARLOS PSICÓLOGO.

"A mais grave contradição é que a pessoa que mais sente a inveja é justamente aquele tipo de personalidade que mais poderia desfrutar o prazer ou sucesso pessoal, deslocando sua fonte de satisfação e crescimento para o inferno de ter de observar ou medir o que o outro obteve primeiro. Neste ponto podemos afirmar que o amor sempre invejou qualquer tipo de vício, pois este último possui uma capacidade de impregnação na alma humana além de qualquer outro sentimento positivo. É só refletirmos para o problema das drogas ou violência, que não demoraremos a perceber a veracidade de tal conceito. Há muito que não sabemos o que fazer com nosso lado íntimo e pessoal, sendo inevitáveis os desastres na história de nossa afetividade. Podemos até ser treinados para a convivência de determinada limitação causada por doença física; mas as seqüelas psicológicas de infelicidades passadas são tabus na compreensão total sobre o que nos tornamos após todas as experiências vividas".- ALFRED ADLER- PSICÓLOGO. PSICÓLOGO)".

"Só haveria algo positivo na inveja se pudéssemos reproduzir fielmente o modelo de vida de alguém realmente criativo.(ANTONIO CARLOS-PSICÓLOGO)".

"A INVEJA ENCOBRE NOSSA MAIOR LUTA, QUE É O INFERNO DO NOSSO ÍNTIMO, DESVIANDO A ATENÇÃO PARA A MEDIDA DO GANHO DO OUTRO".- ANTONIO CARLOS PSICÓLOGO


Talvez este seja o tema que encontra maior resistência em nossa atualidade para ser amplamente debatido, embora suas ramificações estejam presentes em quase todas as esferas do relacionamento humano. A inveja pode ser definida como o deslocamento da energia do potencial de determinado indivíduo para a exacerbada preocupação com a satisfação e prazer de outra pessoa, geralmente íntima do sujeito em questão. Dito sentimento sempre condenado pelo condicionamento do cristianismo nunca conheceu limites ou fronteiras, sendo que sua essência remonta ao aspecto dinâmico das relações familiares.
Qualquer sentimento humano é reforçado ou diminuído no convívio familiar, e a inveja jamais seria uma exceção. Quão árdua tarefa pertence aos pais ao se depararem com um futuro incerto de seus filhos em todos os níveis, versus sua vida cotidiana repetitiva e na maioria das vezes sem qualquer chance de mudança. Precisamos erradicar todo o tipo de preconceito internalizado e estudar o assunto em profundidade. Nenhuma tarefa é mais difícil do que contribuir para uma história diferente a alguém cujo desenvolvimento e resultado dependem de nossa conduta diária. Em nenhum momento de nossas vidas fomos treinados para assimilar o sucesso alheio, inclusive de nossos filhos. Embora tal afirmação pareça cruel, é fundamental a reflexão apurada sobre tal conceito.
Toda família será um eterno pólo de tensão e conflito, principalmente pelo confronto da resolução dos destinos em questão. Obviamente quando se estabeleceu a relação de determinada pessoa que cuidou e a dívida subseqüente, fica impossível se enxergar qualquer sentimento negativo, por força única e exclusiva do império da culpa. O que se pretende colocar aqui não é uma atitude deliberada de aborto da felicidade de outrem, mas como é extremamente difícil a tarefa de educar determinada pessoa para um prazer ou satisfação que foram negados às gerações anteriores.
A inveja para qualquer ser humano remete sempre a determinada experiência de abandono ou desamparo, bloqueando a capacidade do mesmo de desejar doar profundamente. As sensações resultantes são: a angústia por a pessoa sentir que não tem acesso a determinado prazer, ou a raiva por achar que a felicidade corre paralela a sua infelicidade pessoal.
Qualquer ser humano que possua um mínimo de reflexão, já se deu conta que os sentimentos que mais atormentam nossa existência na atualidade são respectivamente: a inveja e solidão. Ambos exacerbam todas as nossas carências, deslocando como disse anteriormente o foco da atenção pessoal para determinada pessoa, pois ditos sentimentos corroem nossa autoestima de forma avassaladora, nos excluindo da categoria de seres humanos requisitados pela sociedade. Este ponto é fundamental para análise, pois o grande ensinamento da inveja é a reflexão de quais são nossas verdadeiras necessidades no confronto diário com a vida de outras pessoas; ou se apenas desejamos competir o tempo todo com as mesmas, pelo receio de nos sentirmos inferiorizados.
O trauma ou conseqüência maior do processo da inveja é a incorporação da pior parte de uma pessoa a quem tanto admiramos. Este paradoxo decorre não somente pelo fluxo de um sentimento humano extremamente negativo, mas pelo bloqueio deliberado de nossa capacidade criativa apenas para nos concentrarmos no outro. A inveja diariamente nos impõe um severo desafio ou vigilância absolutamente desnecessários ao livre fluir de nossas potencialidades. Neste ponto faço a distinção da mesma em relação ao ciúme; sendo este último mais um temor pela perda do objeto, e a inveja seria a tentativa de impedir que o outro tenha algo que ansiosamente desejamos. Tal diferenciação é apenas superficial, pois ambos os sentimentos se cruzam e formam quase que um núcleo único de ansiedade, temor ao abandono e sentimento de miserabilidade interior. A conseqüência inevitável é angústia e solidão.
Todo psicólogo sabe que um sentimento exacerbado de ciúme ou inveja apenas esconde que a pessoa que carrega ditas manifestações emotivas, é quem desejaria praticar os atos ou condutas que teme que o outro realize. A culpa por querer efetuar as mais sórdidas ou concupiscentes fantasias sexuais é convertida em delírio de ciúmes e apego exagerados. É impressionante a carência de literatura sobre tão óbvia conduta em nossa sociedade hipócrita.
O efeito mais devastador da inveja como disse anteriormente é o bloqueio de qualquer potencial criativo. Infelizmente tal sentimento se alastra mais profundamente nas áreas mais sensíveis da humanidade, como por exemplo: arte, cultura e música. A coisa está tão disseminada que na maioria das vezes já não ocorre qualquer tipo de disfarce perante o sucesso alheio. Este é visto como uma "provocação" ao frágil ego do sujeito.
A inveja é em última instância psíquica, o medo da morte projetado em outra pessoa.
No decorrer da história da humanidade observamos diferentes formas de "tomar" os atributos ou talentos de outros ser, seja através do canibalismo primitivo, que tinha como objetivo a incorporação do que havia de melhor no inimigo, ou frustrar simplesmente o desejo do outro em nossa sociedade contemporânea. O fato central desta análise é que a pessoa presa na inveja desconfia secretamente que seu oponente possui uma forma mais avançada ou elaborada de lidar com a morte, então tentará destruir qualquer atributo que coloque o outro em vantagem no desespero da finitude humana.
O invejoso necessita ardentemente de companheiros em sua apatia e medo da criatividade. A mais grave contradição é que a pessoa que mais sente a inveja é justamente aquele tipo de personalidade que mais poderia desfrutar o prazer ou sucesso pessoal, deslocando sua fonte de satisfação e crescimento, para o inferno de ter de observar ou medir o que o outro obteve primeiro. Neste ponto podemos afirmar que o amor sempre invejou qualquer tipo de vício, pois este último possui uma capacidade de impregnação na alma humana além de qualquer outro sentimento positivo. É só refletirmos para o problema das drogas ou violência, que não demoraremos a perceber a veracidade de tal conceito. Há muito que não sabemos o que fazer com nosso lado íntimo e pessoal, sendo inevitáveis os desastres na história de nossa afetividade. Podemos até ser treinados para a convivência de determinada limitação causada por doença física; mas as seqüelas psicológicas de infelicidades passadas são tabus na compreensão total sobre o que nos tornamos após todas as experiências vividas.
Todos os processos familiares e educativos falharam na compreensão do dinamismo humano. Assim como no começo do século passado, a psicologia se concentrou nas repressões não vividas do prazer humano, em nossos dias é fundamental que a mesma se depare com a terrível dificuldade de se lidar com os temores pessoais surgidos pela comparação com outro ser humano, capaz de se sentir pleno e satisfeito dentro de nossa loucura social.
Está mais do que na hora de um processo amplo de educação pessoal, que impeça que o pensamento único de cada indivíduo seja deslocado apenas para uma tentativa de amarrar o outro na insatisfação e tédio vividos pelo sujeito acometido pela inveja. Neste ponto devemos prestar extrema atenção a todo tipo de sabotagem pessoal ou afetiva no transcorrer das relações, seja através da timidez, distúrbios psicossomáticos como a síndrome do pânico, ou a inveja. Todos estes elementos têm a função de apartar a experiência do contato com o prazer.
Mas como pode um ser humano renegar talvez sua mais bela experiência sensorial e existencial? A resposta para tal questão não se centra somente no cunho sadomasoquista, sendo o mesmo a transformação de uma experiência de dor em prazer sexual, decorrente da culpa internalizada, pois ao mesmo tempo em que o sujeito realiza a experiência gratificante, acaba se punindo por desejar a mesma. O fato maior é que o prazer é uma das mais fugazes experiências humanas. Então temos de pensar em termos de opostos; para uma experiência tão curta, a personalidade lança mão de um investimento diário e intenso no sentido de detê-la, sendo uma espécie de protesto de alguém que se recusa a não apenas lidar com a finitude, mas, sobretudo que não está disposto a realizar seu potencial humano.
Qualquer manifestação de talento ou criatividade artística é a prova irrefutável da capacidade de todo ser humano de se concentrar em uma área específica e produzir o máximo de prazer ou amor para si próprio e seus semelhantes, independentemente do status social adquirido pela pessoa no transcorrer da vida. Porém, a inveja trata deste potencial como algo puramente privado, que só pode ser doado mediante a exacerbação de conteúdo econômico ou vontade de poder sobre as demais pessoas. Com toda a certeza este é um dos maiores dramas contemporâneos que a humanidade se depara, e a palavra exata para a definição de tão drástica situação é "economia", pois ao mesmo tempo em que todos almejam alastrar seu horizonte financeiro, exercem extremo controle e prudência na troca pessoal. Talvez num futuro próximo, possamos começar a discutir a realidade com a máxima sinceridade de que o ser humano necessita.
"POR RAZÕES ÉTICAS, QUALQUER ORIENTAÇÃO SÓ É POSSÍVEL PESSOALMENTE ATRAVÉS DE CONSULTA PSICOLÓGICA; NÃO TEMA A TERAPIA, MAS A UTILIZE PARA A MUDANÇA DE UM ESTILO DE VIDA QUE PARECE NÃO TER FIM."


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